terça-feira, 2 de setembro de 2008

Abuso Sexual




Cada Ser Humano habita em si um monstro, como urso faminto. Uns deixam-no hibernando e fazem-no acordar somente em sua autodefesa ou em prol de alguém querido, outros fazem questão de apresentar seu lado feroz sempre que encontra uma presa desprotegida.
E quando atacada, a vítima jamais será a mesma. Terá sombras assustadoras eternas em sua vida, visões relembrando as cenas trágicas do momento ou momentos que foi invadida sem nenhuma licença e, muitas vezes, sem ter discernimento suficiente pra compreender o que se passa com ela.
Exemplos como o de Izabel, de 43 anos nos mostra a crueldade que quase sempre acontece dentro dos lares, nos quais apenas o amor e a cumplicidade deveriam existir. Veja o depoimento dela:



“Lembro que eu era apenas uma criança e já mexiam em mim,
Beijavam meu órgão e eu nada entendia...
Ficava com muita vergonha, mas eu estava com minhas mãozinhas presas.
Levei comigo uma dor, a dor do medo de não ser mais virgem,
Pois eu pensava que eles tinham me tirado a virgindade,
Eu de nada entendia, eu não sabia o que faziam comigo,
E quando via aquela coisa saindo do pinto deles
Eu pensava que doía, pois eles gemiam como crianças...
Mas não entendia porque eles queriam mais...

Eu tinha até medo de apanhar!
Eles me diziam: Não corra, não conte pra ninguém...
Um dia, eles colocaram um filme de ousadia,
E eu fiquei com vergonha de olhar,
Mas eles queriam e mandavam que eu olhasse também,
E quando eu vi que no filme eles enfiavam o pinto na mulher,
Eu comecei a chorar, porque pensei, eles não podem fazer isso comigo...
Mas eles não fizeram, eles ficavam cheirando meu órgão
E lambiam, e pegavam, e perguntavam toda hora se estava gostoso,
Eu dizia que não, pedia para eles pararem com aquilo,
Mas eles faziam mais força, ate que resolvi dizer que estava bom,
Eu tinha medo deles me machucarem, para mim eles não sabiam o que faziam...
Eu era apenas uma menina que brincava de boneca...

Eles pegavam no meu peito e esfregavam o pinto...
Um dia eles machucaram meu peito, e doeu muito, lembro que eu chorei.

Eles me dividiam, era um dia de cada, mas não era todo dia,
Era só quando estávamos sozinhos...
Lembro do dia que colocaram o pinto na minha boca,
Eu quis vomitar, mas não tiveram pena de mim,
Eu não sabia o que fazer com o pinto, e eles disseram: Chupa seu picolé...
Eu chorava muito e eles desistiam, mas toda vez eles tentavam,
Prometiam prêmios, mas eu não queria nada.

Um dia eu descobri que pra me ver livre eu tinha que me mexer,
Pois eles gritavam mais rápido e me deixavam em paz.
Eles diziam você ta ficando esperta... E eu perguntava se eu já podia sair...
Eu saía correndo, ia direto pra o banheiro tomar banho,
Eu tava suja das mãos deles, e eles cuspiam no meu órgão e no órgão deles...

Eu nem tinha pelinho...
E quando começou a nascer os primeiros eu tinha mais vergonha ainda,
Eles mexiam em mim até com cotovelos,
Eu era apenas uma criança de 8 anos, e passei por isso até os 12
Meus piores momentos foram no período de 12 para 13 anos,
Eles queriam mais e mais, e eu dizia: Eu não quero...
Eles diziam: Deixa de besteira, fecha os olhos e fica quietinha...

Eles diziam: Você vai ficar livre, mas eu não entendia nada...
Até que fiquei menstruada, e eles me deixaram em paz...
Depois, muitos anos depois eu descobri o motivo,
Eu descobri que quando o sangue descia na mulher a mulher podia engravidar...”






Caro leitor,
Ficou sem palavras?
É, eu também fiquei! Mas somente até a indignação chegar e me questionar até que ponto a crueldade humana é capaz de chegar.
Dados confirmam que de cada 10 casos registrados, 8 abusadores são conhecidos da vítima e que por isso a chance de convecê-la é muito maior. Ele oferece recompensa a criança ou quase sempre faz ameaças de vários tipos absurdos. No caso de Izabel, eram seus dois primos.


Como evitar?
Autoridades no assunto dão dicas para os responsáveis pelas crianças:

1. Dizer às crianças que “se alguém tentar tocar-lhes o corpo e fazer coisas que a façam sentir desconfortável, afaste-se da pessoa e conte em seguida o que aconteceu.”
2. Ensinar às crianças que o respeito aos maiores não quer dizer que têm que obedecer cegamente aos adultos e às figuras de autoridade. Por exemplo, dizer que não têm que fazer tudo o que os professores, médicos ou outros cuidadores mandarem fazer, enfatizando a rejeição daquilo que não as façam sentir-se bem.
3. Ensinar a criança a não aceitar dinheiro ou favores de estranhos.
4. Advertir as crianças para nunca aceitarem convites de quem não conhecem.
5. A atenta supervisão da criança é a melhor proteção contra o abuso sexual, pois muito possivelmente, ela não separa as situações de perigo à sua segurança sexual.
6. Na grande maioria dos casos os agressores são pessoas que conhecem bem a criança e a família, podem ser pessoas às quais as crianças foram confiadas.
7. Embora seja difícil proteger as crianças do abuso sexual de membros da família ou amigos íntimos, a vigilância das muitas situações potencialmente perigosas é uma atitude fundamental.
8. Estar sempre ciente de onde está a criança e o que está fazendo.
9. Pedir a outros adultos responsáveis que ajudem a vigiar as crianças quando os pais não puderem cuidar disso intensivamente.
10. Se não for possível uma supervisão intensiva de adultos, pedir às crianças que fiquem o maior tempo possível junto de outras crianças, explicando as vantagens do companheirismo.
11. Conhecer os amigos das crianças, especialmente aqueles que são mais velhos que a criança.
12. Ensinar a criança a zelar de sua própria segurança.
13. Orientar sempre as crianças sobre opções do que fazer caso percebam más intenções de pessoas pouco conhecidas ou mesmo íntimas.
14. Orientar sempre as crianças para buscarem ajuda com outro adulto quando se sentirem incomodadas.
15. Explicar as opções de chamar atenção sem se envergonhar, gritar e correr em situações de perigo.
16. Orientar as crianças que elas não devem estar sempre de acordo com iniciativas para manter contacto físico estreito e desconfortável, mesmo que sejam por parte de parentes próximos e amigos.
17. Valorizar positivamente as partes íntimas do corpo da criança, de forma que o contacto nessas partes chame sua atenção para o fato de algo incomum e estranho estar acontecendo.


ABUSO SEXUAL INTRAFAMILIAR



O mais chocante é que o PAI, aquele homem que ajudou a conceber a vida de uma criatura humana, é o pioneiro na lista dos violentadores: 52% dos casos registrados; seguido do padrasto com 32%; tio, 8%; mãe, 4%; avô, 2%; primo e cunhado, 1% cada.



Ficamos torcendo pra que esses números possam diminuir na medida em que pais, em seu sentido mais especial, eduquem suas crianças não apenas para serem boas pessoas, bons profissionais, mas também para que consigam desvencilhar das armadilhas que sempre nos aparecem entre uns passos e outros.



Quero agradecer de coração a Izabel por nos ceder um pedacinho da sua história. Essa garota que apesar de ter vários motivos para ser uma mulher traumatizada e infeliz está aí esbanjando luz, vida, mostrando pra todo mundo que a vida é bela, assim como ela.

Simplesmente ela é uma mulher de Atitudes.Comcharme

Sou sua fã e você sabe disso.

Grande Beijo!





Por Leide Franco.





3 comentários:

rogério disse...

o.o

Rony Mathias disse...

Sou pai, amo as minhas filhas e sempre que eu via ou lia algo sobre abuso ou exploração sexual de crianças, eu sentia raiva, revolta ou nojo, porém ao ler este post, um turbilhões de sensações ruins se apoderaram de mim. A cada linha lida, crescia em mim a sensação de asco e de raiva contra seres tão despresíveis.
Quando o fato é retratado de forma nua e crua, nos atinge com muito mais impacto.
Izabel, sei que nada do que eu fale aqui irá limpar as nódoas deixadas em seu ser, por essas bestas travestidas de seres humanos. Por outro lado, fico feliz em saber que vc toca a sua vida em frente, mesmo tendo que conviver com essas marcas indeléveis.
Leide, a cada dia que passa, te admiro mais e mais!!!!

Dayse Cavalcante disse...

gostei muito do que escreveram pois por mais triste que seja é a realidade que vivemos todos dias...